Kill Me Please

Barra da Tijuca, West Side Zone of Rio de Janeiro. A wave of murderers plague the area. What starts off as a morbid curiosity for the local youth slowly begins to spoil away at their lives. Among them is Bia, a fifteen year old girl. After an encounter with death, she will do anything to make sure she's alive.

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Reviews

  • ★★★★ review by joaopedrofaro on Letterboxd

    Fiel, solta a batida pra nóis.

    O filme é sim, inquestionavelmente, de ideias espassas (algumas excelentes, outras frágeis). Mas a Anita faz das suas boas ideias momentos grandes demais pra eu simplesmente ignorar ou jogar em qualquer que seja a pilha que se amontoa de filmes brasileiros pra passar em festival lá fora. Isso porque soa tão desligado de tudo isso, tão ideologicamente à parte de todo o resto das produções, que brilha em suas liberdades. Deve ser o único filme carioca que fala de uma violência fantasiosa, que não vem de crime organizado ou de polícia militar: É o horror Barrense da pequena Miami Tupiniquim que vive isolada tanto da periferia quanto do movimento central da Zona Sul. Mate-me permite localizar-se e firma-se 100% no Rio de Janeiro e simultaneamente fazer o que a Barra da Tijuca faz, que é ignorar todo o resto da cidade e viver seu próprio e eterno filme americano (seja o slasher, seja a comédia high school, seja o romance teen). E sem cinismo fácil, sem austeridade forçada. A mulher segurando a placa "Somos Todos Barra da Tijuca" no canto de uma cena é o máximo que o filme empurra.

    É meio uma piada interna? Sim, mas isso não diminui o impacto da identificação jovem com a imagética vazia, com o ideal espiritual como único refúgio (o que parece surreal e satírico no filme, mas é absolutamente concreto) e, principalmente, com a fantasia mística funky de um bairro gigantesco geograficamente projetado para ser um universo paralelo. É o anti-Aquarius, o anti-classe média alta carinhosa, anti-espaço privado histórico sagrado. Não tem história, é a terra da especulação imobiliária e das sobras de Shoppings. Ainda faz tudo isso sem um olhar moralizador, ele simplesmente se configura naquele meio e exala os sentimentos hormonais mais essenciais de um grupo de pessoas definido espacialmente.

    Como a Pastora Funkeira fala lá pelo final, "Barra não é sodoma". Barra realmente não é Sodoma, é um pouco pior que isso.

    Algumas outras observações de revisita:

    -O elenco estilo Malhação continua preciso, junto com Frente Fria dá pra dizer que temos nossos Spring Breakers muito bem firmados.

    -A sequência na festa de 15 anos é a representação mais exata e hilária desse fenômeno tão brasileiro, tão brega e tão retrógrado.

    -Eu tenho certeza que a Anita escuta diariamente a melhor playlist do Spotify, e você também deveria.

  • ★★★½ review by Raul Marques on Letterboxd

    David Lynch meets Neighboring Sounds with teens (but not for them). The story and characters are laconic in the hope of being confused with deep or complex, but first-time feature director nails the strange nightmare-like vibe of her obvious clear inspirations like Blue Velvet and Twin Peaks. One aspect that's definitely head and shoulders above the rest of the film, it's the cinematography. It uses terrifically the somewhat dystopian scenery of the region it was shot, with huge building complexes and vast abandoned areas to build the offbeat aura.

  • ★★★½ review by JOJsmuggler on Letterboxd

    Ever been interested what Spring Breakers remade into a slasher movie directed by Gaspar Noé would be like? Then this is your film.

  • ★★★★ review by Laura 🦈 on Letterboxd

    Interessante ler as reviews, e comentários no youtube, desse filme e ver quem se identifica até certo ponto com a protagonista e quem chama ela de estranha, perturbada e maluca por se interessar por crimes e por morte.

    Até pouco tempo atrás achava que eu era uma entre poucas pessoas com aquele interesse beirando, e às vezes caindo em, fascínio pelo tema--um sentimento estúpido que raramente será verdade em um planeta com mais de 7 bilhões de pessoas, mas como eu não tinha ninguém com quem conversar sobre isso era o que achava... e me contentava em assistir horas de 20/20 no youtube, lendo e relendo The Stranger Beside Me e dedicando mais tempo do que devia nos mais funestos dos artigos da Wikipedia.

    Nunca consegui entender o porquê e sempre me senti um pouco culpada até quando comecei a ouvir MFM e percebi que eu não era a única e que muitas mulheres tinham esse mesmo fascínio. Entendi que o motivo era aquela curiosidade mórbida quase que inerente do ser humano para com a maldade fora do comum, o caos e a morte, misturada com a necessidade particular da experiência de ser mulher de coleta de informações que possam te preparar pra um cenário que é demasiado comum na nossa vida, ou pelo menos uma constante preocupação.

    É claro que a Bia de Mate-me Por Favor vai além dessa curiosidade e a deixa tomar conta da vida dela, mas achei que o filme da Anita Rocha da Silveira capturou muito bem esse encanto macabro. Claro que dá pra dizer que o filme morde mais do que consegue engolir, e que as perguntas que ele faz não são tão exploradas quanto poderiam ser, mas é porque esse tema é polpudo pra caramba--e pra mim já vale a tentativa. E que tentativa. O filme tem uma fotografia deslumbrante e uma trilha encaixa direitinho. Os personagens são meio que fragmentos, às vezes pro bem, às vezes pro mal, mas combina com o filme. Gostei do pacing apesar de ser meio all over the place.

    Gostei também que carrega um ar de deboche nas entranhas desse comentário sério que se aventura a fazer, e essa mistura resulta num filme desconcertante, meio perverso, meio evasivo, beiradejando num terror, quase que giallesco, mas que foi ao mesmo tempo, talvez pra minha preocupação, gostoso de ver.

    Mas vou falar sério agora... estranho pra mim é quem no limbo infernal que é o ensino médio não acha um pouquinho de alívio em ler sobre morte, kkkk.

  • ★★★★ review by bruninho on Letterboxd

    Quem é familiarizado com o Rio de Janeiro percebe que o grande mérito do longa é modelar a Barra da Tijuca como seu universo à parte (o que é bem perto da verdade, sinceramente). Assim como em Dama na Água (2006), em que os limites do condomínio são o necessário para conclusão de uma história, o bairro da Zona Leste é o palco principal, organizado de forma caótica, labiríntica, impossibilitando uma assimilação do espaço conforme o tempo passa. Nada ali parece muito convidativo ou verosímil, tudo é largado, no meio do nada, uma vasta área vazia onde a civilização dos condomínios ainda não pode chegar. Tudo isso contribui para o mistério, principalmente por se tratar de um filme teen, onde a plasticidade dos diálogos e temas de conversa são tão vazios e idiotas que criam um sentimento de anormalidade o tempo todo. Aquela realidade não pertence ao mundo de verdade, e a frase enunciada pela pastora "Barra não é Sodoma" chega a ser anulada pela estranheza desse universo quase Lynchiano.

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